Futebol no Planeta

O início de Bauza na seleção Argentina

O Treinador Edgardo Bauza deixou o time do São Paulo para pode assumir a seleção argentina. Com toda a confusão que a AFA tem gerado e após a entrega do cargo de Tata Martino, a federação se via obrigada a arrumar um nome rapidamente para o comando da seleção, Bauza foi o nome escolhido mas tenho certeza que não era a primeira opção, visto que não conseguiram contratar nem Simeone e nem Sampaoli. Nesta análise irei falar sobre o que podemos avaliar de início no trabalho do novo treinador mas também falaremos sobre como Bauza tem treinado a equipe e suas entrevistas.

O “acima” dos craques e o time

Existem jogadores que são craques e além dos craques ainda existe um nível que pouquíssimos jogadores alcançaram. Messi é um desses jogadores acima dos craques. Imprevisível e capaz de criar jogadas que parecem impossíveis de se executar, mas para ele isso é uma coisa tranquila. Esse tipo de jogador que dever ser o centro do time, não que tudo tenha que girar em torno dele, mas Messi deve estar confortável para jogar, pois se não estiver o time pode não jogar bem. Jogadores como Messi devem se sentir a vontade e ter liberdade e conforto dentro da equipe para que seu futebol apareça. Quem nunca ouviu falar que o Messi do Barcelona não é o mesmo da Argentina?

O monstro argentino é sempre um “falso” alguma coisa: emblematicamente, em seu melhor momento individual e coletivo, Messi foi um “falso 9”, com Guardiola; mas também já havia sido um “falso ponteiro direito”, no próprio Barcelona; e, na seleção, em seu melhor momento com a camiseta alviceleste, foi “falso enganche” tendo Aguero e Higuain como atacantes à sua frente, durante as eliminatórias para a copa de 2014.

O “quadrado mágico” que Sabella criou e sempre tirava os argentinos das enrascadas.

O “quadrado mágico” que Sabella criou e sempre tirava os argentinos das enrascadas.

Bauza tinha dilema, antes mesmo de ser contratado o treinador já falava sobre colocar Messi como seu principal jogador e que as coisas seriam feitas em torno dele. Chegou até a dizer que o jogador poderia tirar umas férias da seleção e voltar quando quisesse.

Bauza já trabalhava com a hipótese da volta de Messi e tinha uma convicção nisso. A verdade é que seu primeiro ato como treinador foi ir atrás de Messi onde ele estivesse para conversar com o jogador que em uma conversa muito pertinente o convenceu a retornar a seleção alviceleste na mesma hora. É claro que a volta de Messi trará muitos benefícios a seleção argentina, mas tudo isso tem um preço. Agora “la pulga” colta com status de intocável e as coisas devem ser muito mais em torno dele do que do resto da equipe. Os antigos treinadores tentaram usar Messi de sua própia maneira e não conseguiram faze-lo render da forma esperada. Não o deixaram confortável dentro do time.

Carma ou contiuidade?

Alejandro Sabella montou um esquema próprio para a seleção e bateu na trave no mundial de 2014.

Alejandro Sabella montou um esquema próprio para a seleção e bateu na trave no mundial de 2014.

O segundo ponto sobre a “era Bauza” são as duas “eras” que vieram antes dele, as duas últimas “caras”, os dois últimos trabalhos feitos na seleção argentina. Por um lado, o pragmatismo extremo de Sabella.

Sabella tinha um estilo de jogo em que o que importava era apenas o resultado final.
O leitor que acompanha a seleção argentina talvez se pergunte: “mas como pragmático’’ se Sabella usou Messi, Di Maria, Aguero e Higuain em boa parte das eliminatórias e imaginava ser esse o seu quarteto ofensivo titular?”. É verdade, mas o “pragmatismo” não é a mesma coisa que retranca, o “pragmatismo” consiste em duas coisas, por ordem: um – o importante é ganhar e não jogar bonito; dois – para ganhar é importante ter um modelo de jogo seguro, não importa a tática, os nomes, etc, importa o equilíbrio e equilíbrio significa saber quem são (e onde estão – ou seja, em que parte do campo jogam) seus melhores: na Argentina os melhores são os atacantes. Logo, bingo, aposte num ataque matador e arrume sua defesa. Foi o que Sabella fez. Sem invenções, uma defesa conservadora (usava um zagueiro de origem como lateral canhoto) com 2 volantes protegendo. E mais, Sabella ainda foi precavido: buscou opções ao quarteto, pois alguma coisa poderia acontecer com eles (como aconteceu) e ele não queria ser surpreendido em um jogo importante por isso. Não deu outra: na copa, com as lesões de Aguero e Di Maria, ele lançou mão de um 4-3-3 defensivo, porque contava com a volta de Lavezzi, para deixar “cômodos” Messi e Higuain no ataque. E assim Messi brilhou na seleção, por algum tempo, mais do que no Barcelona no mesmo período.

O segundo legado ou herança é de Martino.

Martino tinha uma personalidade diferente e ninguém conseguia fazer o treinador mudar suas idéias.

Martino tinha uma personalidade diferente e ninguém conseguia fazer o treinador mudar suas idéias.

Taxonomicamente falando, Martino é do reino “menottista” e da família “bielsista”, foi jogador do “loco” Bielsa logo no primeiro trabalho de Marcelo, no Newel’s Old Boys (NOB) de Rosário. Mais do que isso, Martino era a referência técnica e liderança em campo para os garotos que Bielsa trouxe consigo, pois comandava a base da “lepra” (como é conhecido o NOB) já iam muitos anos quando assumiu o time principal.

Martino não seguiu os passos de Sabella que apenas convocava os mesmos jogadores.

Dentro das quatro linhas o esquema era outro. A zaga jogava mais avançada e os volantes chegavam constantemente ao ataque ajudando os meias e atacantes, fora os laterais que eram bastante ofensivos.

Tentando “casar” esse estilo mais “barcelonista-dominador” com os nomes deixados por Sabella (com algumas mudanças pontuais) Martino conduziu a seleção a dois rotundos fracassos na Copa América de 2015 e de 2016, perdendo a final contra o mesmo carrasco: o Chile, que venceu seus dois primeiros torneios oficiais quando o tema é seleção.

Bauza gosta das coisas equilibradas, joga na defesa mas nunca abdica do ataque, um treinador que busca sempre a vitória.

Resumindo, os “mandamentos” de “São Bilardo” são: um – o resultado em primeiro lugar; dois – o equilíbrio traz o resultado, podemos concluir que embora o resultado seja o mais importante ele é consequência do equilíbrio e não causa deste. Ou seja, primeiro o técnico equilibra seu time e depois colhe os resultados. É o que Bauza está fazendo na seleção. Sem mudanças bruscas em nomes ou no esquema, sem tentativas de “inventar a roda”, Bauza vai fazendo seu trabalho, acrescentando principalmente nomes de sua confiança (nesse sentido destaco Pratto e Más que jogou com ele no San Lorenzo).

O treinadores sempre tem seus jogadores chave e Bauza também tem os seus.

Dificilmente teremos jogadores com cadeira cativa neste time, pois a Argentina possui muitos jogadores de grande qualidade. O que me parece é que o treinador manterá esse equilíbrio na Argentina e treinará um time para ser decisivo, ele gosta de jogar com laterais que sobem muito ao ataque e com certeza convocara jogadores com essas características, também não descartando a volta de um quarteto mágico. Não sei se o quarteto antigo, sendo que tem novos jogadores como o jovem Dybala tentando seu lugar ao sol na seleção. Mas não importa o jogador, o que importa é a qualidade que terá essa seleção. Vamos ver o que vai acontecer. O maior objetivo de Bauza como qualquer outro treinador é a Copa do Mundo que o poderá colocar Messi, afinal, entre os Deuses imortais do futebol.

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