Futebol no Planeta

O G6 e a obsessão dos clubes pela Libertadores

A ampliação do número de vagas para o Brasil na Libertadores gerou muitos burburinhos e mexeu com o Campeonato Brasileiro. Entre os muitos elogios e críticas, ouvimos coisas do tipo: “Legal, vai deixar os times de baixo mais animados”, “Não gostei, vai banalizar a classificação” ou “Muitos times vão se contentar em ficar em 6º lugar”. Mas, afinal de contas, os times entram no Brasileirão somente atrás de uma vaga?

 De uns tempos para cá, a Libertadores tornou-se o grande sonho de consumo das equipes brasileiras, mas na verdade a competição que realmente sustenta nossos clubes é o Brasileirão. Veja a análise:

Reunião do Comitê Executivo da Conmebol decidiu pelo aumento da Libertadores, o que causou euforia nos clubes.

Reunião do Comitê Executivo da Conmebol decidiu pelo aumento da Libertadores, o que causou euforia nos clubes.

Para começar, vamos falar do baixo nível da nossa principal competição continental. Como vimos com todas essas mudanças de uma hora para a outra, não é difícil constatar que a Conmebol é um das confederações mais desorganizadas do mundo. Além disso, a entidade parece se importar muito pouco com os clubes e as confederações nacionais.

Outras características que marcam a Libertadores ainda são, infelizmente, exaltadas por muitos: confusões nas arquibancadas, gramados em estados deploráveis, agressões em campo e decisões recheadas de polêmicas e politicagens.

É claro que o torneio também tem suas qualidades e tradições que devem ser valorizados e comemorados. O grande ponto é: será que é válido abrir mão do resto do ano, inclusive do Brasileirão, por conta da Libertadores?

Sem Libertadores e sem o resto de 2016: ano do São Paulo praticamente acabou após a eliminação no torneio continental

Sem Libertadores e sem o resto de 2016: ano do São Paulo praticamente acabou após a eliminação no torneio continental

Um título brasileiro, na atual forma por pontos corridos, premia muito mais uma grande equipe do que o torneio continental. Ou seja: aquela história de que é preciso estar na Libertadores para montar um time forte é balela de dirigente. A competição que realmente exige um elenco qualificado é o Brasileirão.

Outro ponto que engana muito torcedor é aquele velho papo de que disputar a Libertadores atrai receitas e patrocinadores. É claro que pode ajudar, mas do que adiantaria disputar somente a competição sul-americana se não existisse o Brasileirão? Afinal de contas, é o torneio nacional que garante calendário para as equipes e a exposição duradoura de uma marca. Na Libertadores, muitas vezes toda aquela euforia pode durar apenas 6 jogos – ou até menos, caso um clube não vença a fase preliminar.

Uma situação que aflige os clubes que “se matam” pela Libertadores são os jogadores com contratos curtos, exclusivamente para jogar o torneio continental. O problema dessa estratégia é que ela só dá certo se o time for campeão. Caso contrário, a equipe se desmancha no meio do ano e o time vai mal no Brasileirão – ou, no máximo, tenta buscar novamente uma vaga para a Libertadores, retomando o ciclo.

Outro exemplo comum aos times do Brasil é o uso das “equipes mistas” nas primeiras rodadas do torneio nacional. Ainda pior: quando um time do nosso país vence a Libertadores, abre mão completamente do Brasileirão. A única exceção no século XXI foi o Internacional de 2006, que conquistou a América e foi vice-campeão brasileiro.

Essas duas questões, que mostram claramente como a Libertadores é supervalorizada no Brasil, estão com os dias contados graças ao novo calendário da Conmebol. Mas e a adoração ao torneio continental, vai continuar?

Não poderíamos encerrar o texto sem falar da principal questão: as premiações e cotas de televisão. Para se ter uma ideia de como a Libertadores é supervalorizada, basta olhar o quanto a competição paga a seus clubes: no máximo R$ 31 milhões – o mesmo valor que as equipes da fase de grupos da Champions League recebem. Até mesmo o Brasileirão, tão esnobado, paga mais do que o torneio da Conembol: só com direitos de televisão, os times da Série A que menos recebem faturam, por ano, quase R$ 40 milhões.

Um bom exemplo de valorização do campeonato nacional por parte dos clubes vem da Inglaterra. Há alguns anos, o país vem com dificuldades na Champions Legue e nem sempre uma de suas equipes chega à semifinal do torneio europeu, como fez o Manchester City na temporada passada. Ainda assim, a Premier League é o campeonato nacional mais valorizado e assistido do mundo.

Ninguém deve desvalorizar a Libertadores, mas também não deve supervalorizá-la. Agora, fica a expectativa para ver se a mudança no calendário para 2017 também vai significar uma mudança de mentalidade.

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