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City tem a pior e mais cara defesa dos “grandes”

“Às vezes quando se faz esses comentários, quando você diz que melhorou, chega o próximo dia e você leva quatro gols. (…) Mas claro, estou feliz que estamos sofrendo menos gols.”

Pep Guardiola não é vidente, mas estava certo.

O técnico tem sido questionado sobre os melhores números defensivos do Manchester City. Com certa cautela, se mostrou satisfeito. E aconteceu exatamente o que ele disse: os Citizens perderam por 4 a 0 para o Everton pela Premier League.

Não foi apenas a pior derrota do treinador em partida válida por uma liga nacional. Foi também a confirmação- estatística – de que o City tem atualmente a pior defesa entre os maiores e mais endinheirados clubes da elite europeia.

A média de gols sofridos pelo City subiu para 1,23 por partida após o duelo contra o Everton. Os 26 gols contra em 21 jogos deixaram o clube na liderança do ranking de pior defesa entre as maiores equipes das cinco principais ligas. Na Inglaterra, o Liverpool é a agremiação entre as seis primeiras da Premier League com a média mais próxima: 1,18 por jogo.

Chelsea (0,71), Juventus (0,77), Real Madrid (0,94), Barcelona (0,94), Bayern de Munique (0,56) e PSG (0,75), por exemplo, estão com médias de menos de um gol sofrido por partida.

Se ampliarmos a análise da estatística para os seis primeiros de cada um dos maiores campeonatos nacionais, a situação melhora. Mas só um pouco: o City fica na 29ª posição entre 30 times, só à frente da Real Sociedad (1,47, com 25 gols sofridos em 17 jogos).

Preocupante para um clube que tem uma defesa que foi montada ao longo dos anos ao custo de 173,95 milhões de euros (R$ 594 milhões) – entre eles, o jovem John Stones, por quem o clube pagou 55 milhões de euros, e Claudio Bravo, que custou 18 milhões de euros.

A questão dos desarmes

Mapa dos desarmes certos do City na Premier League 2016/2017

Em dezembro, logo após a derrota do City por 4 a 2 para o Leicester, Guardiola foi confrontado por um repórter sobre um dado curioso: os Citizens não tinham conseguido um único desarme certo nos primeiros 35 minutos de jogo.

A resposta do treinador virou destaque na mídia inglesa. “A segunda bola é um conceito típico aqui na Inglaterra. Os desarmes? Eu não sou um treinador de desarmes. Eu não treino desarmes. O que eu quero é jogar bem e chegar mais à grande área. O que são desarmes? Pfft.”

“Você precisa vencer os duelos, claro. Mas normalmente, quando você joga bem, você ganha vários desarmes. Mas depois de 20 minutos, perdendo por 2 a 0, os jogadores estão pensando ‘O que está acontecendo?’. Não é fácil para eles. É um um outro aspecto do futebol, mas não vamos ganhar ou perder baseados nos desarmes.”

“Sofremos [no Barcelona e no Bayern de Munique] poucos gols na minha carreira como treinador, e aqui eu não consigo isso. Preciso analisar a razão.”

O sucesso de um time em uma liga nacional não pode ser medido apenas pelo número de desarmes. Mas a estatística pode abrir caminhos para entender o que se passa. De acordo com a ferramenta ESPNTruMedia, o City é a equipe menos eficiente entre os 98 clubes das cinco grandes ligas no desarmes: apenas 48% das tentativas são certas. É a única equipe abaixo de 50% no quesito.

Refinando a eficiência nos desarmes por setores dos campos, a resposta é praticamente a mesma: o City é o 98º no campo de ataque (38,5%), o 91º no campo de defesa (53,2%), 96º no terço ofensivo (38,6%), último no meio de campo (43,1%) e 85º no terço defensivo (56,5%, à frente do Liverpool).

Os desarmes de quem fica com a bola

Por si só, como diz Guardiola, os desarmes não querem dizer nada. Ainda mais com a posse: quem fica mais tempo com a bola, naturalmente desarma menos. Mas a eficiência segue baixa em comparação com clubes da mesma característica.

Segundo o ESPNTrumedia, oito times têm média de pelo menos 60% de posse de bola em jogos nos respectivos campeonatos: Bayern de Munique (68,9%), Barcelona (66,3%), Borussia Dortmund (64,6%), City (64,3%), PSG (64,3%), Napoli (62%), Liverpool (61,3%) e Tottenham (60%). Destes oito, o City, como já dito, é o único abaixo dos 50% na eficiência dos desarmes. Com exceção ao Liverpool (56,3%), todos os outros estão acima de 60% em aproveitamento de desarmes.

A questão do goleiro

Claudio Bravo tem sofrido muitos gols

O City sofre muitos gols, mas, com o controle do jogo, não está entre os times que mais sofrem finalizações. É apenas o 85º entre 98 times tanto no número de chutes sofridos (175) como de chutes certos sofridos (61). O problema é que os arqueiros não têm sido bem-sucedidos em parar as finalizações para o gol: salvaram 57,4% dos arremates, índice para deixar o clube em 92º entre 98 equipes. O time fica atrás de qualquer outro gigante europeu no quesito.

Como comparação, a primeira temporada de Guardiola no Bayern de Munique apresenta uma diferença nestes números. Os campeonatos e os estilos do rivais são outros, mas o contexto não deixar de ter similaridades: o espanhol chegou a um novo clube e passou “ensinar” um novo idioma (isto é, métodos de treinamento e uma forma de jogar) aos jogadores.

O Bayern terminou a temporada de 2013/2014 com 54,2% no índice de desarmes corretos – 82º lugar entre 98 times. Foi ainda o time das grandes ligas que menos sofreu chutes e o 96º em chutes certos sofridos. O diferencial, no entanto, estava no gol: os goleiros do Bayern (principalmente Neuer, que atuou em 31 dos 34 jogos da Bundesliga) defenderam 78,1% das finalizações que foram na direção certa.

O que pensa Guardiola

Na coletiva de imprensa após a derrota por 4 a 0 para o Everton, o sistema defensivo dos Citizens novamente foi alvo de perguntas. Pacientemente, Guardiola repetiu o que já disse em outras ocasiões: a resposta está mais na eficiência do ataque do que na defesa em si.

“Ficarei preocupado quando os rivais criarem muitas chances. Nesse caso, teremos problemas de controlar o jogo. Muitas pessoas não concordam comigo, mas controlar o jogo significa que você tem a posse da bola para criar as chances suficientes e converter algumas delas. Isso aconteceu conosco, só que a primeira chegada do Everton foi um gol. Quero que o City esteja cada vez melhor e sinta que pode marcar gols. Quando isso acontecer, sofreremos menos lá atrás”, disse.

É um ponto. O Manchester City é o sétimo clube que mais finalizou entre os clubes da Premier League, Alemão, Francês, Italiano e Espanhol. Mas é apenas 59º na eficiência, com 32,4% dos arremates indo na direção certa.

Em dezembro, o meia Kevin de Bruyne também deu uma pista sobre o que o técnico pensa sobre o estilo praticado na Inglaterra. De acordo com o atleta, o espanhol ficou impressionado com a quantidade de bolas longas.

“Ele pensa às vezes que os times tentarão jogar futebol porque eles fazem isso contra outras equipes. Mas se é contra nós, eles mudam o estilo de jogo. Acho que ele fica surpreso às vezes com isso. Ele fica muito tempo e coloca muita energia olhando as coisas, onde os espaços estarão, mas então ele diz que o adversário com certeza vai usar a bola longa. Acho que às vezes ele deve pensar, ‘Por que estou fazendo todo este trabalho?’.”

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